terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre ser mulher.

Quando nasci suponho que alguém tenha dado a fatídica noticia: ”é menina!”, e ai todo o estigma começou. Determinaram não só meu sexo, mas meu norte: Meu nome deveria ser um desses, o cabelo tinha de ser comprido, minhas cores primarias ficariam entre o amarelo e o vermelho. .

Se ser não é tarefa fácil, ser menina é ainda menos.

“Arruma o vestido, senta direito, penteia os cabelos.” “Por quê?” “nenhum garoto vai querer namorar você desse jeito.” Agora pra ser menina eu precisava ser avaliada e aceita por algum outro alguém? Porque eu não estava sendo a minha própria avaliadora? Precisa ter selo de qualidade para ser? O que eu era já não bastava, talvez precisasse ser de novo, ser alguma coisa mais, sabe, feminina. E eu não fazia ideia do que isso significava. Eu já tinha o gênero, correto? E eu me sentia de acordo com ele, então, o que me faltava?

Mas se ser menina não é fácil, ser mulher é uma tarefa que deveria levar milênios para ser aperfeiçoada. É aprender a não gostar do corpo, do rosto sem maquiagem e da própria natureza. Menstruação é sujo, ter pelos é nojento, não parecer uma boneca plastificada em publico é digno de recriminação e escarnio.

Ai o tempo passa, a gente adere a esses ensinamentos que crescem por todos os lados, como erva daninha. Então toda relação se torna voltada para si. Porque, afinal, deve existir uma aprovação constante para me validar como mulher no mundo. Devo abrir mão de varias partes da minha natureza, porque, infelizmente, a natureza feminina não é vista como natural.

Livrai-nos, nós mesmas, dessa paranoia. Amém.


Venha ser mulher,
quem queira,
como quiser
e o resto do mundo que se acostume!

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