terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Amores serão sempre amáveis, eu prometo.

Lutar por você é uma batalha perdida. Lutar com você também.  Você, delicado peso morto se fazendo refém do mundo. Desistindo antes mesmo de algo o desafiar.  Virando as costas para o futuro, achando que o cigarro afastará toda a dor dos anos e da solidão eminente que é o destino de todos nós. Não há cigarro, nem foda, nem amor, nem bebedeira que cure a falta de paz, a insegurança e o horror que há na vida.

Mesmo assim, você tão menino , tão crente que o mundo vai esperar mais um pouquinho até seu cigarro acabar.. O mundo já engoliu você, querido. Te deixei porque não queria afundar, parada, junto.

Desonesto seria se eu só viesse com palavras duras, porque se parti cem vezes, voltei ao mínimo duzentas querendo um pouco de ti. E como sempre, pareço pássaro de passagem pros teus olhos manchados (e doídos).  Essa aceitação do mundo ruim, essa sua certeza eminente que tudo que é não poderia não ser e que não há nada o que fazer. Que eu posso ir sempre que quiser, e talvez torcer para não entrar mais ninguém no seu caminho até que eu volte.. você não causa resistência nenhuma, tudo que eu faço é nadar contra a corrente.


Você é consumido e deixa o fogo queimar, eu acendo mais a chama ou fujo pra bem longe, atravesso e desatravesso uma ponte,  corro muito, corto os pulsos e choro forte antes de levantar e enfrentar tudo e todos, acreditando que o pior da vida é me fazer esperar. 


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