segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Necessidades básicas

É preciso se amar. Através de todo o ódio que escorre nas ruas e das almas daquelas pessoas que nos cercam e abraçam algumas vezes cheias de más intenções. 

É mais do que necessário aprender a desfrutar de si, de romper com o medo e com os traumas. Se o vizinho, o cachorro ou o mundo já te feriu mortalmente é essencial respirar fundo, olhar para a alma do agressor e deixar que ele , e principalmente , você, prossiga. O ódio faz com que nos movamos rápido e com um sorriso malicioso no canto do rosto, e muitas vezes é o ódio que permite que nos lutemos contra alguma coisa, no entanto ele não pode ser eterno. Como diz em Corintos, há tempo para todas as coisas, de odiar e de perdoar. Muitas vezes perdoar a si, aceitar que de alguma maneira o outro te feriu, tirar da mente toda a negatividade e a brutalidade. 

Depois de muito podar é tempo de florescer.

A raiva prolongada perde sua essência de retribuição, de payback, ela apenas escorre dentro de nós, contamina. 

Não acredito em boas almas e corações que não guardam mágoas, tenho fé na sabedoria de deixar passar o mal que ficou marcado na pele, de deixar a memória se perder porque existem coisas que não merecem ser lembradas. De ter atenção que o mundo não é bom, mas que pode ser bonito se a gente souber olhar e sorrir. 

Não existirão muitas pessoas que te peguem pela mão, então que você se abrace, e corra, corra mesmo. Se houver vontade ou necessidade corra dos outros, fure compromissos, invente desculpas e até suma se sentir no fundo que isso será o melhor para o seu equilibro. 

O mecanismo que o cotidiano nos impõe não gera paz, apenas preocupação e peso, então é mais que essencial saber o que merece ser lutado e abandonado.

Escrevo isso para mim, porque a vida não é coisa fácil nem nunca foi mil gentilezas. Mas houve gente que me pegou no colo, tiveram noites que eu me segurei sozinha, e outras que eu tive certeza que não conseguiria amanhecer.

Entretanto a manhã chegou, essas pessoas já foram para outros lados, e eu não me reconheço mais, e esse é o primeiro passo para eu ser quem eu quero, não somente uma consequência do que o mundo causou pra mim. 

É muito cedo para se conformar. E sempre será. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Estática negação

Eu queria te dizer que talvez exista muita coisa pior no mundo, mas agora tanto faz. 

Já disse antes que cheguei ao limite, eu sei, parte de mim espera que esse não seja o limite absoluto da vida , mas, eu voltei .

Voltei ao lugar escuro que já me encontrei varias vezes, e essas mesmas paredes encardidas não me possibilitam entender o que há por de trás do concreto que me faça querer sair. Penso nos amores passados e nos vividos, e nada me comove. Penso nas juras daquele menino um tanto mais velho que eu, e mesmo assim permaneço imóvel. Me recuso a encontrá-lo pelo simples prazer-doloroso de permanecer estática. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Desapego

Eu não sei lidar com encerramentos,simplesmente não enxergo os avisos tão óbvios do fim. E insisto. Insisto e quando noto já nem sinto. O fim vai crescendo em mim sem que eu veja. Permaneço e persevero, choro o que deveria e o que não.

Esforço desperdiçado.

Derramo-me por vezes na coisa insistida que me falta a malícia de perceber que já morreu em nós.
O silêncio não me diz nada pois sou uma grande saudosista. Sua meia dúzia de sorriso despreocupados, que eu não vejo faz quase ano, não me fazem desacreditar ou notar a distância que existia do antigamente até o momento agora. A lembrança se encarrega de suprir todo o mal entendido , o verbo não dito, a maldade que corre pelas nossas veias tão mortais.

Lembrança é antídoto de todo o presente destruído.
Lembrança é cegueira precoce.
Lembrança é essa foto jogada no fundo da gaveta.

Estática.
Que não emolduro nem jogo fora.

Enfim
um copo quebra, um compromisso se desmarca,
o cigarro falta na minha boca carente de afeto.

desapego.

Deixo correr livre e vou na direção contrária, não há encontro nem há chegada.

não existe mal na partida quando se vive bem o caminho e não retém lembranças de quase nada.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

errada(o)

Seria tudo errado ou toda errada? Talvez pra variar não tenha sido tanto fez. E de tanta coisa que acontece quando os nossos olhos se perdem em meio a tanta luz que brilha no meio da cidade em noite de festa, tudo se fez. E nada tanto fez.

E o não virou palavra de ordem aos ouvidos mimados que não conseguem respeitar limites ou imposições. E o descaso que talvez fosse curiosidade ou ate mesmo bom senso que falta em boa parte de nos chegou.


E ligou na segunda feira que é dia de branco e dia de varrer o caos do fim de semana para de baixo do tapete. Dia de levantar cedo e sorrir pro mundo que ri da gente e pegar a condução triste e lotada de gente quase sem alma e andar aquele tanto e ver o mar imundo que cerca a terra e ficar a deriva ate chegar a algum lugar que de fato não é lugar nenhum. E o mundo é isso


A surpresa!


E esses telefonemas que rompem a mente

E eu minto
E ele mente
E talvez ninguém esteja errado
Porque a vida e essa,  e talvez tudo seja mesmo errado
Mas
Você
Tenta.

Bruce e nós

Vamos ter um réptil. 
uma iguana verde e com olhos mortos
que irá fitar nosso sexo sem vida.
Você levantando após o fim, se dirigindo ao banheiro.

Enquanto eu espero, exausta
e encaro Bruce (esse seria seu nome)
A iguana Bruce, eterna companheira de indiferença

Li uma vez que o melhor que um réptil pode fazer é ignorar.
O artigo falava sobre cobras, mas acho que também se aplica
ambos são animais de sangue frio.
Não sei se me referi a Bruce ou a você;
ou a mim.
Talvez do meu útero nasçam pequenos répteis com seus olhos cínicos
e meu sorriso dissimulado.
Filhos do nosso amor.
Bruce será o membro mais amável da família.

(ele ao menos se mantém indiferente.)