Amor-veneno era esse seu encanto esquio que me deixava menor em mim. Com todo carinho me ensinava como eu precisava ser mais e diferente para receber o afeto diário, pagamento incompleto e miserável que era tentar viver com quem não queria um pássaro.
Arrancou minhas penas,
tirou meu abrigo
me fez comer na mão.
Que afeto era esse que eu acreditei enquanto chorava aflita?
Voar machuca aquele que vive acorrentado. O incomodo de perder aquilo que nunca se quis ganhar, porque ter sem afeto é melhor do que não ter coisa alguma, e eu, por ter querido tanto e de impeto quase perpetuo, ou ao menos assim o sentira, agora voo.
Não me pôde,
não me mande.
não tente aprisionar meu canto e minhas piruetas.
Não fale alto porque eu agora só vou quando quero.
Eu não preciso de ninho, eu sou bicho solto,
animal selvagem,
bebendo das folhas e sentindo o calor do sol.
O belo não precisa ser belo sempre. Mas deveria.